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2006-01-26

Centro de Formação
- Centro de Documentação Stanislas Tomkiewicz
- Biblioteca António Ramos Rosa

Inauguração com "Ponche de Honra" no Sábado 28 de Janeiro de 2006 às 16h.
Rua Fr. Xavier, 5 Alto da Cova da Moura (perto da Sede)
2610-199 Buraca Amadora

 

O Centro de Formação é um exemplo da capacidade de colaboração dos moradores na requalificação do bairro da Cova da Moura, proporcionando:

 

António Ramos Rosa

“Estou num lugar mágico de vida e sensibilidade.
Isto é que é Portugal. Um lugar mestiço. Faz-me lembrar as mantas de retalhos que minha mãe fazia.
A nossa sociedade é isto e não apenas aquele quotidiano das pessoas esmagadas e inexpressivas que vemos nos transportes públicos.
A festa também faz parte da vida e estas pessoas estão vivas.
Isto é vida.
O humano é divino."

António Ramos Rosa
no dia da inauguração do Centro de Formação

 

E-mail enviado pela sobrinha de António Ramos Rosa: 

Adorei o evento de ontem. Senti-me em casa. Na minha origem remota. Meu tio  ficou muito emocionado e sensibilizado do princípio ao fim. Nunca pensei que ele aguentasse tanto tempo, nem o ruído. Pois ele é muito sensível ao barulho.

As palavras que me disse sobre o sítio foram muitas. Algumas não pude reproduzir.

Deixo-lhe aqui algumas: "Ainda bem que decidiste trazer-me até este espaço. Estou num lugar mágico de vida e sensibilidade. Isto é que Portugal. Um lugar mestiço. Faz-me lembrar as mantas de retalhos que minha mãe fazia. A nossa sociedade é isto e não apenas aquele quotidiano das pessoas esmagadas e inexpressivas que vemos nos transportes públicos. A festa também faz parte da vida e estas pessoas estão vivas. Isto é vida. O humano é divino."

 

Ana Vasconcelos, Pedopsiquiatra:

Stanislas Tomkiewicz, TOM para os amigos, foi um pedopsiquiatra e psicoterapeuta reconhecido, internacionalmente que dedicou, toda a sua vida, às crianças e aos adolescentes em sofrimento psicológico e vítimas de injustiças e mais tratos.

Mostrando-se, sempre, em empatia solidária com o sofrimento psicológico das crianças e dos jovens, activo defensor e praticante da "atitude activa afectiva", TOM transmitia, sempre, às crianças e jovens que tratava, a convicção de que eram dignas de ser amadas, oferecendo-lhes os meios para se fazerem amar.

Militando sempre pelo humanismo nas práticas terapêuticas destinadas às crianças e aos jovens em sofrimento psicológico e em risco, dedicou toda a sua vida a encontrar modos inovadores e eficazes na reeducação de adolescentes socialmente desadaptados e em risco social.

No Centro para Jovens em risco que coordenou em Paris, durante quase 30 anos e que se tornou numa referência internacional, Tom e os seus colaboradores, alicerçaram a sua prática clínica no objectivo de adaptar o adolescente a si próprio, como forma de o ajudar a reconciliar-se com a vida, oferecendo-lhe um quotidiano baseado na democracia, na liberdade, no voluntariado e em actividades como o cinema e a fotografia.

Tom tinha um olhar muito brilhante e matreiro, um rosto aberto e franco, um sorriso que nos acolhia sempre como bem vindos. Sabia ouvir todas as vozes sem palavras e toda a música secreta e única que toda a pessoa tem dentro de si.

Nasceu na Polónia, numa família judia, sobreviveu ao gueto de Varsóvia, foi deportado para um campo de concentração e sobreviveu a uma longa tuberculose. Todas estas experiências despertaram nele a vontade de se dedicar à pediatria e à pedopsiquiatria.

"Trabalho com os adolescentes porque me roubaram a minha própria adolescência.", costumava dizer quando recordava os seus anos de juventude passados dentro do gueto de Varsóvia.

Livre-pensador, foi um combatente incansável pela Convenção dos Direitos da Criança, lutando por tudo o que considerava ser um abuso de poder ou uma violência sobre as crianças e os jovens.

O essencial, para Tom, estava na verdade da pessoa, acreditando sempre na capacidade que toda a pessoa tem para se reconstruir e para utilizar as suas forças e a sua inteligência nessa reconstrução. A sua experiência pessoal, os seus conhecimentos profundos da pessoa humana, a sua largueza de horizontes, a sua coragem, levaram-no, sempre, a pôr a fasquia muito alta nos seus projectos e realizações.

Não suportava a mediocridade, a estupidez e a injustiça, lutando pela verdade e pela reconciliação.

Por isso, eu sei que o TOM gostaria muito deste bairro e de todo o trabalho do Moinho da Juventude. Penso que ficaria muito contente por saber que o seu nome estava ligado a este projecto do centro de documentação e que nos brindaria com a sua gargalhada franca e o seu "Genial, não acham?"e vos diria que o Moinho da Juventude é um bom exemplo da esperança que teve sempre de que a humanidade continua a saber encontrar soluções inéditas que sabem conciliar justiça social e liberdade individual.

E eu, Ana Vasconcelos, só me resta agradecer à Lieve e a todos vocês, terem aceite a minha sugestão de dar o nome deste meu querido professor que tanto me ensinou a saber lidar com o sofrimento da alma das crianças e dos jovens.

 

.: Fotografias da inauguração do Centro de Formação :.

 

 

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