Associação Cultural Moinho da Juventude
1 - Valorização da cultura de origem.
Tendo em atenção o desenraizamento que os migrantes enfrentam no seu dia-a-dia e tendo em conta o trabalho de intervenção comunitária procura-se que os valores culturais sejam potenciados e reconhecidos.
Reconhecendo e partindo dos valores culturais dos formandos, a relação entre formadores e formandos altera-se fundamentalmente.
2 - Desenvolvimento das capacidades e potencialidades dos moradores.
A formação desenvolve-se na base do que as pessoas são capazes de fazer para que se maximizem as suas capacidades e descubram potencialidades latentes. A descoberta de lacunas na formação é feita pelos próprios formandos e a motivação para preencher lacunas detectadas é consequentemente mais forte.
3 - Desenvolvimento do Empowerment. O empowerment é suportado por quatro traves mestras: Acção, Reflexão sobre a Acção, a Comunicação e a Negociação/ Cooperação.
Consideramos 'Empowerment' o processo de indivíduos e grupos locais ou comunidades que vão desenvolver as suas capacidades e vão adquirir o poder de uma participação activa.
As iniciativas formativas surgem a partir das preocupações dos moradores. Os formandos têm oportunidade de apresentar propostas de actividades no âmbito da formação ou complementares à mesma cuja organização, estruturação e dinamização são da sua responsabilidade.
Mas 'empowerment' não tem só a ver com o processo de construção e desenvolvimento de capacidades, mas também com problemas estruturais: a constelação política, a dominância cultural, relações sociais.
Não é fácil este processo, porque a nossa sociedade faz um constante apelo à alienação e concentração do poder. Quem está no poder, gosta de mostrar os seus galões. Pretendemos que pouco a pouco cresça a disponibilidade das autoridades para terem ouvidos e olhos para as capacidades e reflexões dos moradores.
4 - A metodologia de base: a aprendizagem interactiva.
A aprendizagem Interactiva assenta no princípio que a formação funciona em dois sentidos. A mais valia dos cursos de formação não se destina exclusivamente aos formandos, mas também aos formadores, que descobrem novos valores culturais, atitudes e conhecimentos.
5 - Estreita interligação entre a prática e a teoria, acção e reflexão.
Os formadores aprendem a capitalizar as próprias experiências dos formandos. Além disso, a ligação entre os módulos e entre estes e os outros núcleos da associação são um pilar base na filosofia de formação de qualquer curso.
6 - Todo o processo de formação é acompanhado por uma avaliação contínua entre formandos, formadores e coordenadores do Projecto.
A avaliação continua permite um reajustamento dos objectivos e metodologias durante as várias fases do Projecto. Através de metodologias activas - dramatizações, chuva de ideias, jogos de grupo - são analisadas as diferentes componentes do Projecto: formadores, conteúdos, metodologias de trabalho.
7 - O envolvimento de pessoas "chaves" da comunidade constitui outra trave mestra na formação.
Estamos a falar de pessoas que, residentes no seio da comunidade, detém sobre a mesma um conhecimento aprofundado, "peritos de experiência", essencial num processo de formação. Estamos também a referir-nos a animadores e mediadores que em virtude da compreensão da motivação e da capacidade que têm para trabalhar com a própria comunidade, apoiam, no diálogo e relação entre todos, os intervenientes da formação.
8 - Ligação entre a formação e as restantes componentes da vida.
A formação em curso, apenas constitui mais um processo entre tantos outros. Significa isto dizer que paralelamente à formação procura-se que de uma forma participada e envolvente, se dê respostas a situações problemáticas, se incentive para uma cidadania.
Estas são, portanto, as linhas orientadoras do processo formativo desenvolvido ou a desenvolver que serão intensificadas, ajustadas, ou estruturadas de acordo com o grupo e a área de formação.
Tendo em conta as necessidades e dificuldades sentidas e as lacunas que se têm manifestado em termos pedagógicos ao longo de toda a formação desenvolvida, em que alguns formadores têm algumas limitações na aproximação que estabelecem com os formandos, em grande parte com poucas habilitações literárias pelo facto de terem abandonado a escola, seja por dificuldades de adaptação ao sistema normal de ensino, seja pelo facto de terem de trabalhar, realizámos em 94 um curso de formação de formadores com 60 horas, e mais 4 cursos, respectivamente em 98, 99, 2001 e 2003 com a duração de 90 horas, todos homologados pelo Instituto do emprego e Formação Profissional.
Contudo, face ao confronto com novos desafios, julgamos que o êxito do nosso percurso formativo e o sucesso do trabalho comunitário que vimos desenvolvendo depende, entre muitos outros factores, da aposta na formação inicial de novos quadros da Associação assim como da formação contínua daqueles que há já longa data tem contribuído para a intervenção desta Associação num bairro carenciado mas cheio de potencialidades. Assim, neste sentido, pretendemos realizar um novo curso de formação com a duração de 90 horas, envolvendo novos formadores que trabalhem com a Associação nos diferentes projectos, formadores que trabalhem em outros locais e / ou formadores cuja "reciclagem" de conhecimentos se considera importante.
Recursos Humanos :
Um coordenador, uma secretária e os formadores relativos aos diferentes módulos.
Recursos físicos :
1 sala de formação.
Recursos pedagógicos :
Material informático, jogos, manuais, reprodução de materiais, retroprojector, TV, vídeo, câmara de vídeo, aparelhagem de som e projector de slides.
Nº. |
CONTEÚDOS/ACTIVIDADES |
DURAÇÃO |
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A - ENQUADRAMENTO |
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1 |
O formador e o contexto em que se desenvolve a formação Caracterização dos sistemas de formação Formação Profissional inserida nos Sistemas de Educação-Formação-Trabalho Legislação de Enquadramento da Formação Profissional Perfil do formador: competências e capacidades Caracterização da integração sócio-profissional das minorias étnicas. |
7,5 horas |
2 |
Teorias, factores e processos de aprendizagem Conceito e características da aprendizagem Teorias, modos/modelos/mecanismos de aprendizagem Processos, etapas e factores psicológicos da aprendizagem |
4,5 horas |
3 |
Métodos e técnicas pedagógicas Os métodos pedagógicos mais usuais em formação O método activo O método da aprendizagem interactiva Técnicas pedagógicas Preparação do material didáctico Características da comunicação pedagógica nos métodos activos e não activos |
6 horas |
4 |
Relação pedagógica, animação de grupos em formação e gestão de percursos diferenciados de aprendizagem Processo de comunicação Interferências no processo de comunicação Métodos alternativos de comunicação O Formador e os fenómenos de grupo Funções internas do grupo Principais áreas que facilitam a integração das minorias étnicas, no meio profissional e empresarial Lista dos atributos e capacidades a desenvolver Tipos de liderança e seus efeitos na prática pedagógica Animação de grupos com percursos diferenciados de aprendizagem |
6 horas |
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B - ENQUADRAMENTO |
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5 |
Definição e estruturação de objectivos de formação Finalidades. Objectivos de Formação Das competências aos objectivos Objectivos pedagógicos: função, níveis, componentes e domínios Como definir um objectivo operacional Definição das competências chaves A definição de objectivos e a avaliação da formação |
3 horas |
6 |
Planificação da formação Pressupostos à elaboração de um plano Etapas de um plano Planificação de um módulo de formação Momentos-chave de uma sessão na óptica do formador e do formando |
1,5 horas
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7 |
Os recursos didácticos na formação e as novas tecnologias de informação e comunicação Selecção, elaboração e exploração de audiovisuais na formação Aplicação das tecnologias de informação e comunicação Concepção e utilização de jogos Utilização de software educativo |
9 horas |
8 |
Avaliação da aprendizagem Conceito, finalidades e objectos da avaliação Critérios de avaliação Tipos de avaliação: quanto ao processo e quanto ao momento Escalas de classificação Subjectividade da avaliação Técnicas e instrumentos de avaliação na aprendizagem |
3 horas
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9 |
Acompanhamento e Avaliação da Formação Critérios de eficácia da formação Análise evolutiva e sistémica dos resultados da formação Tipos de desvios e acções de regulação Instrumentos de avaliação na formação |
3 horas |
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C - APLICAÇÃO |
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10 |
Planificação da formação Conceito, finalidades e estrutura do plano Elaboração de um plano de sessão de formação ou de apresentação de um módulo na área de intervenção do participante, a ser aplicado na simulação pedagógica final |
6 horas
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11 |
Simulação Pedagógica - Inicial Preparação da simulação pedagógica inicial Análise e auto-análise dos comportamentos pedagógicos observados Despistagem dos aspectos pedagógicos mais relevantes Diagnóstico das competências demonstradas e a adquirir ou a melhorar |
15 horas
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12 |
Simulação Pedagógica - Final Análise e auto-análise dos comportamentos pedagógicos observados Questionamento/aprofundamento dos aspectos pedagógicos mais relevantes Síntese e avaliação dos processos vivenciados Percursos para a auto-formação |
15 horas |
13 |
Proposta de intervenção pedagógica Apresentação, por parte dos participantes, de críticas, sugestões e propostas para melhoria dos sistemas de formação, ao nível técnico-pedagógico e/ou organizacional |
3 horas |
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ACOLHIMENTO E AVALIAÇÃO |
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a) |
Sessão de acolhimento |
1.5 horas |
b) |
Avaliação intermédia |
1.5 horas |
c) |
Avaliação intermédia |
1.5 horas |
d) |
Avaliação final |
3 horas |
Pretendemos envolver neste curso de formação um número máximo de 13 formandos, oriundos e/ou residentes no bairro, preferencialmente envolvidos nas diversas actividades da Associação e com particular motivação para trabalhar com populações desfavorecidas.
Como metodologias de formação, os formadores do curso privilegiarão o método interactivo na medida em que o mesmo permite um maior envolvimento por parte dos formandos assim como uma aprendizagem mais significativa atendendo às características dos "actores" com quem vão trabalhar.
Em termos de técnicas, dar-se-á principal enfoque ao Jogo de Papéis, Tempestade de Ideias, Jogos de simulação, utilização de banda desenhada e caricaturas, Jogos de discussão, composição de textos de jornal utilizando Publisher. Será dada grande importância ao desenvolvimento de novas técnicas pelo próprio grupo de formandos no decorrer do curso tendo em conta o grupo alvo.
Coordenador: Ana Cláudio
Avaliação: Godelieve Meersschaert e Ana Paula Gonçalves
Formadores: Bruno Almeida, Anne Marie Delettrez e Isabel Rodrigues
A avaliação a desenvolver será intermédia e final e envolverá os seguintes níveis:
Avaliação dos efeitos / processo nos formandos (directa e indirecta)
A avaliação em relação aos formandos centra-se na realização da autoscopia inicial e final cuja grelha avaliativa utilizada é a proposta pelo IEFP. Contudo, é ainda a intenção de identificar e compreender os efeitos indirectos nos formandos em aspectos como:
Relativamente a esta avaliação prevemos que a metodologia de realização da mesma seja a concretização de três encontros de equipa:
Entendemos a avaliação dos efeitos para a entidade promotora como a necessidade de compreender em que medida o curso constituiu uma mais valia para a entidade em termos da qualidade da intervenção que possibilita nos diversos núcleos. Assim, esta "medição", pressupõe a utilização de uma metodologia em termos de levantamento do trabalho realizado pelos formandos, após o curso, no núcleo onde assume responsabilidades.
O curso decorrerá numa sala de formação da Associação situada na rua S. Tomé e Príncipe.
De Ketele, Jean Marie; Chastrette, Maurice; Cros, Daniéle; Mettelin, Pierre; Thomas, Jacques, Guia do Formador, Instituto Piaget, 1988
LIMBOS, E., Animação sociocultural , Livros Horizonte, 1974
D´HAINAUT, L. - A educação, dos Fins aos Objectivos , Coimbra, Almedina, 1980
COLECÇÃO APRENDER (IEFP)
Métodos pedagógicos
Formação e Multimédia
A avaliação pedagógica na formação profissional
Definição de objectivos de formação
IEFP - Formação Pedagógica inicial de Formadores - Maio '98
COLECÇÃO FORMAR PEDAGOGICAMENTE (IEFP)
perfil e funções do formador
A autoscopia na formação
Os media na formação
A multimedia e o formador
Animação de grupos e liderança
Retroprojector
MACCIO, Charles, Animação de grupos , Moraes Editores, 1977
RIBEIRO, C. L . - Avaliação da aprendizagem, Texto Editora, 1997