Dicionário Relativo aos Contextos Educativos

Abuso

Prática condenável de um adulto para com uma criança ou jovem (até aos 18 anos). O abuso pode ser de carácter sexual, físico ou de negligência (ver definições).

Abuso físico

Danos no corpo causados por murros, pontapés, estaladas, queimaduras, apertões, beliscões ou outros tipos de acções agressivas que magoam a criança. É comum este tipo de abusos surgir como resultado de uma educação muito rígida, com base em punições físicas em que o agressor não tem intenção de magoar tão severamente a criança.

Abuso sexual

Contactos e interacções com a criança e um adulto (um agressor), quando o adulto usa a criança para se estimular sexualmente a si próprio, à criança ou a outra pessoa. Este abuso também pode ser menor de 18 anos quando este é significativamente maior que a criança (vítima) ou quando o agressor está numa posição de poder ou controle sobre o menor [1]

Actividades espontâneas

Situações que não estão planeadas mas que acontecem devido a um imprevisto que é aproveitado pelos adultos e crianças como oportunidade de aprendizagem. Por exemplo uma criança que vai viajar; o aniversário de uma criança, uma criança conta que a sua cadela teve cãezinhos, ...

Actividades estruturadas

Planeamento de actividades que têm como objectivo alcançar um nível de desenvolvimento específico.

Actividades musicais

Canções, ritmos, bater de acordo com o ritmo, murmurar, movimentar-se com a música, ouvir música, bater palmas, responder a sons e ritmos com acções.

Actividades produtivas

Podem incluir: construções, puzzles, pintura, trabalho com materiais moldáveis, exploração de materiais naturais, independentemente de existir ou não um produto final construído.

Ajudas visuais para contar histórias

Podem incluir: fantoches, chapéus, fotografias, bonecas, mala com objectos sobre a história, ...

Ambiente

Meio envolvente, incluindo pessoas, natureza e equipamento.

Aparelhos que ajudam a locomoção

Exemplo: muletas, cadeiras de rodas, próteses, ...

Apoios visuais ou tácteis para a conversação

Podem incluir: quadro sobre o tempo, relógio, calendário, quadro de aniversários, objectos de interesse, mala das emoções ...

Aspectos positivos do comportamento

Por exemplo: raparigas em papeis activos de liderança; deficientes a realizar tarefas variadas; rapazes a lavar a loiça; ou outros comportamentos que devem ser valorizados.

Auto-confiança

Segurança que a pessoa tem sobre as suas capacidades.

Auto-estima

Sentimento de que se é uma pessoa com valor e com direito de ser reconhecida por outros.

Auto-imagem

Imagem que a pessoa tem sobre si própria.

Auxiliares de comunicação

Teclados, linguagem pelo tacto, linguagem gestual, aparelhos de sons, ...

Avaliar

Considerar o valor de uma actividade: o que se alcançou e o que está por alcançar relativamente aos objectivos definidos.

Bebé

Até aos 12 meses.

Capacidade de auto-ajuda

Capacidades que possibilitam a autonomia da criança em relação aos outros, tal como: comer sozinha, saber vestir-se, ir à casa de banho, arrumar os brinquedos, ...

Colegas

Outras pessoas que trabalham na instituição.

Comportamento abusivo

Comportamento que fere psicológica ou fisicamente outra pessoa.

Comportamento anti-social

Comportamento que causa dor física, que destrói ou interfere na propriedade dos outros, ou que pode ferir os sentimentos de outro.

Comportamento de oposição

Recusar fazer o que lhe é pedido, agressão directa verbal ou não verbal, ataques de cólera ou de mau humor.

Comidas frias

Pode incluir sandes, saladas, batidos, queijos, enchidos...

Comunicação pré-verbal

Sons, ruídos que as crianças fazem para comunicar com os outros antes de saberem falar, também designados por balbuceios ou palreios.

Comunidade

Área em que a instituição se insere, bem como as pessoas que vivem nessa área.

Conceitos científicos ou físicos

Características dos objectos como a cor e a forma; crescimento, vida e outras características dos organismos vivos; acção do calor, luz, flutuar ...

Conceitos matemáticos

Pode incluir: a compreensão do número, peso, volume, ordem, classe, forma, contagem, complementaridade, igualdade, maior/menor, o mesmo que ...

Conceitos morais

Compreender como queremos e podemos conviver com os outros, respeitando-os na sua diferença, reconhecendo valores como liberdade, fraternidade, igualdade, solidariedade.

Conceitos de tempo

Horas, manhã, tarde, noite, antes, agora, depois, ontem, hoje, amanhã, próxima semana, ...

Confidencialidade

Capacidade que a pessoa tem em passar informação sobre a criança, família ou colegas a outras pessoas, respeitando regras do local de trabalho e respeitando a própria criança de forma a que a informação passada ajude a melhor se gerir uma informação e não a criar rumores ou mal entendidos.

Comportamentos auto-destrutivos

Acções que levam ao isolamento social, automutilação ou outras formas de agressão a si próprio, física ou emocionalmente.

Cooperação 

Partilhar, ajudar o outro, respeitar as necessidades e direitos dos outros, fazer trabalhos em grupo.

Criança

Dos 12 meses até aos 8 anos (em contexto educativo).

Criatividade

Criar algo original.

Cultura 

Forma de vida e crenças partilhadas por alguns grupos sociais, vividas no dia-a-dia tais como alimentação, higiene pessoal, interacção com os outros dentro e fora do grupo.

Currículo

Inclui todas as actividades e experiências que permitem que a criança aprenda. Inclui as actividades planeadas para atingir determinados objectivos educativos e acontecimentos inesperados que se revelam boas oportunidades para aprender.

Desenvolvimento emocional

Desenvolvimento da criança que lhe permite lidar com os seus sentimentos / emoções e os dos outros e desenvolver segurança e auto-imagem positiva.

Desenvolvimento social

Forma como a criança aprende a viver e a estar com os outros.

Dificuldades de comunicação

Problemas auditivos, língua materna diferente da língua falada na instituição ou outro motivo que torne difícil a verbalização de ideias ou sentimentos ou a compreensão do que lhe é dito.

Discriminação 

Prática que consiste em dar menos oportunidades a determinadas pessoas ou grupos.

Diversidade cultural

Variedade de expressões culturais.

Educação dos esfíncteres

Educação dos músculos urinários e rectal, por parte da criança, que a leva a deixar de fazer xixi e cocó na fralda para passar a usar o bacio.

Estabelecer

Definir, clarificar.

Estádios de desenvolvimento

Fases pelas quais todas as crianças passam, nomeadamente a nível do desenvolvimento mental e da linguagem.

Estratégias de intervenção

Procedimentos que permitem que os adultos se envolvam nas actividades das crianças de modo a atingir um objectivo.

Expectativas

O que se espera ou se deseja sobre o modo como a criança se desenvolva, fale, interaja com os outros...

Facilitar 

Modo de proporcionar a outra pessoa a capacidade de realizar uma determinada tarefa.

Família

Grupo de pessoas que são importantes para a criança.

Famílias que não cooperam

Famílias que não respeitam ou não concordam com as práticas da instituição.

Flexibilidade de pagamento

Poderá ser a isenção ou pagamento em prazos mais alargados do que habitualmente.

Igualdade de oportunidades

Encontrar forma de assegurar que todos os indivíduos tenham igual direito de desenvolver ou beneficiar dos serviços. Alguns indivíduos poderão precisar de mais ou diferentes tipos de ajuda para assegurar a igualdade de oportunidades.

Implementar

Pôr em prática.

Informação da instituição

Regulamento, horário de funcionamento, lista de pessoal, pagamentos, datas de interrupções ou férias, modo de funcionamento, serviços de saúde... 

Informação dada pelos pais

História e condição médica da criança, dificuldades familiares, vocabulário específico da criança, gostos da criança, acontecimentos recentes, práticas culturais e religiosas que tenham implicações no cuidado da criança.

Informação (formas de apresentar)

Exposições, ilustrações, uso de linguagens variadas - vídeo, escrita, fotografia, sítios na internet ...

Instrumentos musicais

Podem ser comprados, feitos à mão no local, ou adaptados / improvisados (canecas, paus, caixas com objectos)...

Jogos de construção

Podem incluir blocos, caixas, cubos, legos, entre outros, e que podem ser de dimensões variáveis.

Jogos repetitivos

Obrigam a fazer a mesma coisa muitas vezes. Frequentemente este tipo de jogos remete para a imitação do adulto (de sons, palmas, ritmos, canções, rimas...)

Materiais para actividades específicas

Equipamento para actividades de "faz de conta": casa, hospital, loja, escritório, café, barco (em miniatura).

Meio estimulante

Meio que pode conter fotografias, posters, mobiliário, brinquedos, espelhos, materiais com diferentes texturas e cores de modo a permitir à criança fazer experiências variadas num ambiente harmonioso.

Motricidade fina

Tarefas minuciosas, feitas principalmente com as mãos.

Motricidade global

Relaciona-se com movimentos grandes do corpo. Pode incluir: saltar, rodar, atirar, apanhar, chutar, balançar, ...

Não familiar

Espaço, actividades, objectos, formas de relacionamento que a criança não conhece ou que não tem o hábito de fazer, pelo que requerem uma adaptação, uma familiarização.

Negligência

Não dar resposta às necessidades básicas da criança. A negligência pode ser física, educacional ou emocional.

Negligência educacional 

Falta sistemática de acompanhamento da criança a nível escolar, quer das instituições, quer do meio familiar, ou promover actividades profissionais da criança antes da sua maioridade

 

Negligência emocional

Inclui acções como a falta de atenção sistemática às necessidades de afecto que a criança tem, recusa ou entrave a que a criança tenha um acompanhamento psicológico, abuso ou mau-trato a terceiros na presença da criança, permissão do consumo de álcool e drogas às crianças.

Negligência física

Inclui a negação ou o descuido em acompanhar sistematicamente a saúde da criança, o abandono, a exclusão do meio familiar, ou a recusa de que a criança fugitiva volte para casa e o acompanhamento inadequado a nível físico (má nutrição, vestuário...)

Negociar

Discutir um assunto polémico e chegar a um acordo.

Objectivos

Onde queremos chegar. Por exemplo: aprendizagens a realizar, capacidades a desenvolver.

Outros profissionais

Pode incluir técnicos de saúde, terapeutas da fala, psicólogos, assistentes sociais...

Perigos potenciais

Substâncias tóxicas, objectos deixados ao acaso, objectos que cortam como facas ou vidros, partes de mobília ou equipamento e outros objectos que sejam pontiagudos.

Políticas da organização

Princípios básicos que regulam o trabalho da instituição.

Plano curricular

O que se tem de fazer a longo, médio e curto prazo para que a criança atinja os objectivos, Normalmente este plano é feito por escrito.

Preconceito

Opinião ou atitude sobre um indivíduo ou grupo, normalmente com conotação negativa, que não é baseada em informação exacta.

Prevenção de acidentes

Faz-se através de equipamento próprio (saídas de emergência, extintores, utilização de tintas de parede e outro tipo de material adequado...) e procedimentos (hábitos de higiene e arrumação, treino de evacuação do espaço, conhecimentos sobre primeiros socorros) que minimizem os riscos de acidente.

Princípio

Regra geral à qual obedece, através da qual se comporta, ou através da qual tenta alcançar algo.

Programa de acolhimento

Actividades que ajudam a criança a integrar-se na instituição.

Promoção

Trabalho activo de encorajamento.

Próteses

Braços, pernas, mãos, pés e olhos artificiais.

Questões abertas

Questões que não têm uma única resposta certa. Por exemplo: "o que pensas de" ... ou "porque é que aconteceu" ... ou "como lidaste com"...

Recompensa

Podem ser de vários tipos: dar a escolher um actividade favorita, dar doces ou outras formas de premiar no final de uma tarefa realizada com sucesso.

Reconhecimento através da memória

Capacidade de reconhecer através de pistas visuais (imagens, fotografias ou desenhos), auditivas, de cheiro, de sabor, de escrita e de tacto, situações ou objectos que tenham sido observados ou vividos no passado.

Recursos educativos

Tudo o que serve de apoio para a actividade educativa. Podem ser recursos humanos (pessoas que podem contar uma história, um técnico de saúde que acompanhe as crianças...), financeiro (o dinheiro disponível para comprar materiais, fazer visitas...) ou materiais (jogos, papel, brinquedos...)

Reforço positivo

Elogios ou outro tipo de valorização no sentido de apoiar um dado comportamento.

Regras de confidencialidade

Regras da instituição que não permitem que algumas informações sejam passadas para o exterior.

Relembrar

Descrever ou demonstrar situações que ajudam a trazer à memória acções e emoções anteriormente observadas ou vividas.

Restrições organizacionais

Restrições de espaço, financeiras, de pessoal, que têm de ser consideradas no plano da organização.

Resultados da aprendizagem

O que a criança aprendeu com a actividade / experiência.

Rotinas

Actividades que acontecem todos os dias e que foram organizadas e planeadas. Por exemplo, lavar as mãos antes e depois de comer, dormir depois do almoço...

Sensorial

Está associado a ouvir, ver, sentir, cheirar e saborear - aos 5 sentidos.

Sentimentos

Medo, tristeza, alegria, dúvida, orgulho, conquista, posse, gratidão, ciúme, frustração, fúria, satisfação...

Sinais de uma baixa auto-estima

Pode incluir a expressão constante de desagrado sobre si próprio, um desenvolvimento da identidade com falhas, demonstrar demasiadas queixas sobre si próprio, considerar que as suas opiniões não têm importância, despreocupação sobre a aparência física, aparentar não se importar com o que lhe acontece, negar a sua origem racial/cultural, desprezar pessoas com deficiência.

Valores

Princípios e crenças morais de uma pessoa pelas quais ela rege a sua vida

Verbalização

Exprimir, por palavras, uma ideia, opinião, sentimento, sugestão...


 

[1] Definição proposta pelo "National Center of Child Abuse and Neglect, 1978.

 

 

 


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